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Consumo de combustível na frota: 7 fatores que aumentam os custos e reduzem a margem da transportadora

O combustível representa uma parcela importante dos custos de uma transportadora e pequenas ineficiências podem comprometer a rentabilidade das viagens. Hábitos de condução, manutenção dos veículos, tempo de espera, planejamento de rotas e até decisões comerciais influenciam o consumo. Entenda quais fatores merecem atenção e como acompanhar os gastos para identificar desperdícios e melhorar a gestão da frota.
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Nem sempre uma transportadora que realiza muitas viagens consegue alcançar a margem de lucro esperada. Em algumas situações, o problema não está na quantidade de fretes, mas nos custos que se acumulam durante cada operação.

O combustível é um dos principais exemplos. Acelerações desnecessárias, pneus com pressão inadequada, manutenção atrasada, longos períodos de espera e rotas mal planejadas podem elevar as despesas sem que isso seja percebido imediatamente.

Por isso, controlar o consumo vai além de acompanhar o valor pago nos postos. É necessário observar como os veículos são conduzidos, em quais condições as viagens acontecem e se o valor cobrado pelo frete cobre os custos da operação.

A seguir, veja sete fatores que podem aumentar o consumo de combustível e como a transportadora pode agir para evitar desperdícios.

Acelerações e frenagens desnecessárias

A maneira como o motorista conduz o veículo influencia diretamente o consumo de combustível.

Acelerações bruscas, frenagens frequentes e mudanças constantes de velocidade exigem mais do motor e podem aumentar o gasto, principalmente em trajetos com trânsito intenso ou muitas paradas.

Uma condução mais previsível ajuda a aproveitar melhor o movimento do veículo, reduzindo esforços desnecessários e contribuindo também para a conservação dos componentes.

O que fazer:  incentive a direção preventiva, oriente os motoristas a antecipar situações do trânsito e, quando houver telemetria, utilize os dados para identificar padrões de condução que possam ser aprimorados.

Pneus e manutenção em dia

Pneus com pressão abaixo ou acima da recomendada podem prejudicar o desempenho do veículo. Quando estão descalibrados, podem aumentar a resistência ao rolamento, afetando o consumo e acelerando o desgaste.

O mesmo acontece quando há problemas de alinhamento, balanceamento ou componentes mecânicos que não recebem a manutenção adequada.

Adiar revisões pode parecer uma forma de economizar no curto prazo, mas aumenta o risco de falhas, paradas inesperadas e despesas maiores durante a operação.

Além de acompanhar a pressão e o desgaste, a transportadora pode avaliar a recapagem de pneus como alternativa para prolongar a vida útil dos componentes e controlar os custos da frota. Essa prática exige avaliação adequada das condições da carcaça e dos critérios de segurança.

O que fazer: estabeleça uma rotina de verificação da calibragem, acompanhe o desgaste dos pneus e mantenha um cronograma de manutenção preventiva conforme as recomendações do fabricante.

Leia mais sobre Recapagem de Pneus: Economia, Sustentabilidade e Segurança

Velocidade e uso do piloto automático

Manter velocidades elevadas pode aumentar significativamente o consumo, principalmente por causa da resistência do ar, que cresce conforme a velocidade do veículo.

Além disso, mudanças constantes de ritmo dificultam uma condução eficiente. Em determinadas condições, manter uma velocidade regular pode ajudar a reduzir oscilações e aproveitar melhor o combustível.

O piloto automático também pode contribuir nesse processo, especialmente em rodovias e trechos adequados. Entretanto, seu uso deve considerar as condições da estrada, o trânsito, o relevo e as orientações de segurança do fabricante.

O que fazer: estabeleça orientações de condução compatíveis com cada tipo de operação. A prioridade deve ser sempre respeitar os limites da via e manter uma direção segura, sem pressa para cumprir prazos.

Motor ligado durante períodos de espera

Nem todo combustível consumido está associado ao deslocamento do caminhão.

Filas, atrasos na doca, demora na liberação da mercadoria e períodos de espera para carregamento ou descarregamento podem manter o motor ligado por muito tempo, mesmo quando o veículo está parado.

Esse consumo pode passar despercebido na rotina, mas representa um custo adicional quando se repete em várias viagens.

Parte do problema também depende da organização entre embarcadores e transportadoras. Atrasos frequentes nas operações comprometem o aproveitamento do veículo e podem gerar despesas que não estavam previstas.

O que fazer: acompanhe os tempos de espera, organize os agendamentos de coleta e entrega e mantenha uma comunicação eficiente entre as partes. Quando as condições operacionais e as recomendações do fabricante permitirem, evite deixar o motor ligado sem necessidade.

Rotas mal planejadas e retorno vazio

Escolher uma rota não significa simplesmente selecionar o caminho com menor distância.

Condições da estrada, trânsito, pedágios, restrições de circulação, relevo e pontos de parada também influenciam o custo e o tempo da viagem.

Investir na otimização de rotas para transportadoras permite avaliar trajetos, reduzir deslocamentos desnecessários e melhorar o aproveitamento dos veículos. Um planejamento eficiente considera não apenas a distância, mas também as condições reais de circulação e as características de cada operação.

Outro fator importante é o retorno vazio. Quando o caminhão percorre o caminho de volta sem transportar mercadorias, a transportadora continua arcando com combustível, manutenção, pneus e outros custos, mas não gera receita com aquele deslocamento.

O que fazer: planeje as rotas considerando as condições reais de circulação, acompanhe a quilometragem total da operação e avalie oportunidades de fretes de retorno. O objetivo é aproveitar melhor a capacidade da frota sem comprometer os prazos e a segurança.

Fretes negociados sem considerar o custo real

A economia de combustível é importante, mas não resolve todos os problemas de rentabilidade quando o valor cobrado pelo frete não cobre as despesas da viagem.

Antes de aceitar uma operação, a transportadora precisa considerar não apenas a distância percorrida, mas também o consumo estimado, pedágios, manutenção, pneus, mão de obra e demais custos envolvidos.

Também é importante trabalhar com valores atualizados de combustível, considerando as diferenças de preço entre regiões e as variações ao longo do tempo.

Uma viagem pode até gerar faturamento, mas isso não significa necessariamente que trouxe lucro para a empresa.

O que fazer: calcule o custo estimado antes de fechar o frete e, depois da entrega, compare a previsão com os gastos efetivamente realizados. Esse acompanhamento ajuda a identificar operações que estão consumindo mais recursos do que o esperado.

Para aprofundar esse assunto, confira também nosso conteúdo sobre calcular corretamente o custo de uma viagem é fundamental para garantir a rentabilidade do transporte

Falta de acompanhamento do consumo por veículo

Não adianta identificar possíveis desperdícios se a transportadora não possui informações para acompanhar os resultados.

Controlar os abastecimentos e a quilometragem permite entender quanto cada veículo consome, identificar variações e avaliar se determinadas rotas ou operações estão gerando despesas acima do esperado.

Com tecnologias de rastreamento de cargas, também é possível acompanhar os deslocamentos, monitorar o desempenho da operação e identificar situações que podem elevar os custos, como frenagens bruscas, tempo excessivo de marcha lenta e desvios de rota, dependendo dos recursos disponíveis no sistema.

Um indicador que pode ajudar nesse controle é o consumo em litros por 100 quilômetros (L/100 km).

Como calcular:

Consumo (L/100 km) = (Litros consumidos ÷ Quilômetros percorridos) × 100

Por exemplo, imagine que um caminhão tenha consumido 120 litros de combustível em um percurso de 600 quilômetros.

O cálculo será: 120 ÷ 600 × 100 = 20 L/100 km

Isso significa que o veículo consumiu, em média, 20 litros a cada 100 quilômetros percorridos.

Para acompanhar esse indicador, mantenha registros de:

- Identificação do veículo;
- Quantidade de combustível abastecida;
- Quilometragem registrada;
- Rota e tipo de operação;
- Valor pago pelo combustível;
- Condições relevantes da viagem, quando disponíveis.

É importante utilizar um método consistente de controle, considerando os abastecimentos e o combustível efetivamente consumido no período. Também vale lembrar que veículos diferentes não devem ser comparados sem considerar suas características e condições de operação.

Peso da carga, modelo do caminhão, relevo, trânsito e tipo de estrada podem alterar significativamente o resultado.

Com essas informações organizadas, fica mais fácil identificar desvios, estabelecer metas realistas e acompanhar se as medidas adotadas estão trazendo resultados.

Conclusão

Reduzir o consumo de combustível não depende de uma única mudança, mas de um conjunto de cuidados que começa na condução do veículo e chega até o planejamento comercial da transportadora.

Manutenção preventiva, direção adequada, controle dos períodos de espera, planejamento das rotas e acompanhamento dos abastecimentos são medidas que ajudam a evitar desperdícios e melhorar o aproveitamento da frota.

Mais do que gastar menos combustível, o objetivo é entender quanto custa cada operação e garantir que os fretes realizados contribuam efetivamente para a rentabilidade da empresa.

Afinal, uma gestão eficiente não olha apenas para quantas viagens foram realizadas, mas também para o resultado financeiro que cada uma delas trouxe.

Como calcular o custo real de cada viagem?

O combustível é apenas uma parte das despesas de uma operação de transporte. Para saber se um frete realmente vale a pena, é necessário considerar todos os custos envolvidos, desde a saída do veículo até o retorno.

No blog da CoteFrete, você encontra mais orientações sobre esse assunto: Como calcular o custo real de uma viagem de transporte?

Acompanhe a CoteFrete para conferir mais conteúdos sobre gestão, planejamento e eficiência no transporte de cargas.

Ferramentas: Glossário de frete · Calculadora do piso ANTT · Calculadora de cubagem · Frete fracionado

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